UMA CANÇÃO #01

juçara marçal foto de jose de holanda.we

foto de josé de holanda

RESENHAS

discos

JUÇARA MARÇAL
~ canção, encarnada ~

por Marcos Lacerda e Alexandre Marzullo

Produção Cultural

WhatsApp Image 2021-06-04 at 17.03.50 (1

* * *

dalva_de_oliveira_rainha_do_radio.jpg

ÉPOCA DE ouro

por Marcos Lacerda

por Alexandre Marzullo

leo cavalcanti.jpeg
fabrica poema.jpg

por Marcos Lacerda

por Alexandre Marzullo

Produção Crítica

compositores

ensaios

o-alcance-da-cancao-estudos-sobre-musica

RESENHA de livro:

O Alcance da Canção - estudos sobre música popular, Luís Augusto Fischer & Carlos Augusto Bonifácio Leite (org.),

Ed. Arquipélago, 2016.

por Alexandre Marzullo

* * *

PARA PESQUISADORES

DISCOS DO BRASIL

Discos do Brasil é um site preciosíssimo para amantes da música brasileira, tanto pela generosa vastidão de seu acervo discográfico quanto pelo notável cuidado de Maria Luiza Kfouri, jornalista, musicóloga e criadora do site. Inaugurado em 2005, o portal é constantemente atualizado e, inclusive, passou por uma reformulação recente, com um novo layout e textos da própria Maria Luiza Kfouri sobre a trajetória do site e sobre seu envolvimento pessoal com a música brasileira.

oooo

Afinal de contas, a base de dados do site Discos do Brasil é a própria discoteca de sua criadora, o que confere um sabor ao mesmo tempo histórico e pessoal ao empreendimento, oferecendo aos pesquisadores que consultam seu extenso e minucioso catálogo, além de preciosa informação, um exemplo de paixão pela música brasileira.

visite o site Discos do Brasil: https://www.discosdobrasil.com.br

SITE

livros

Luís Augusto Fischer & Carlos Augusto Bonifácio Leite (org.): 

O Alcance da Canção: estudos sobre música popular.

Arquipélago Editorial, 2017.

Túlio Ceci Villaça: 

Sobre A Canção - e seu entorno, e o que ela pode vir a ser.

Ed. Appris, 2020.

Zuza Homem de Mello: 

Copacabana: a trajetória do samba-canção.

Editora 34/SESC SP, 2017.

Lorena Calábria: 

Da Lama Ao Caos: Chico Science & Nação Zumbi.

Editora Cobogó, 2019.

Arthur Nestrovski: 

Tudo Tem A Ver: Literatura e Música.

Ed. Cotovia, 2019.

RONALDO BASTOS

WhatsApp Image 2021-06-04 at 17.05.59.jp

* * *

discos

Edu Kneip: Vencer, Vencer, Vencer (2018).

https://open.spotify.com/album/2IfoCEm4ezTGy083Aby4lh

 

Luiza Brina: Tenho Saudade Mas Já Passou (2019).

https://open.spotify.com/album/2eHCuB8CBE4MSiNbFWXZez

Ilessi: Dama de Espadas (2020). 

https://open.spotify.com/album/6m2hgQoZyBGDqkKK1Hs4hy

Rogério Santos: No Tempo das Marés (2020).

https://open.spotify.com/album/1XNSE5cXz7pLssnzqQRXor

Zé Manoel - Do Meu Coração Nu (2020).

https://open.spotify.com/album/5lDlKMdb8DZJnei1v2DvEI

canções

Novo lançamento de Juliano Holanda, em dueto com Zélia Duncan, a canção Um Vagalume estreiou hoje nas plataformas de streaming, alumiando os algoritmos. Com a esperança ao mesmo tempo delicada e aguerrida que costuma caracterizar a poética de Juliano Holanda, Um Vagalume é um híbrido de canção, acalanto, poesia e cantiga. Repousando em vozes, piano elétrico e baixos, a singela Um Vagalume é o que diz: um vagalume sozinho não faz clarão / reluz um brilho mansinho / mas pode ser como um sol na escuridão / iluminando o caminho / sem saber, brilha / sem sentir, trilha / pra acender brasa na palma da mão.


Um vagalume sozinho não faz clarão; talvez por isso a canção seja um dueto, cantada com ternura e justa medida por Zélia Duncan e Juliano Holanda. As vozes se casam enquanto o baixo se torna praticamente uma terceira voz, com vontade de ascensão. Existe algo de misterioso que acontece quando uma canção traduz tão bem um sentimento tão indefinido, e ainda assim repleto de presença. Um Vagalume o faz, sem saber ou sabendo. Audições repetidas revelam mais e mais luz. Emociona, e a canção demonstra sua importância: até uma multidão de vagalumes surgir, finalmente vitoriosa, a canção esquenta, brasa na palma da mão, no levante dos dias. Ou, como em Guimarães Rosa: "...o vagalume, sim, era lindo! Tão pequenino, no ar, um instante só, alto, distante, indo-se. Era, outra vez em quando, a alegria."


https://open.spotify.com/album/7Jv6zoTsugsHU5v6cm6wb7



113 visualizações0 comentário
  • lacerdamarcos81

Três expressões do intenso na paixão - três formas de falar de amor. A cantiga emboleirada; o fado; o samba-canção, em três artistas: Puta Romântica, nome artístico de Maria Victória Carballar; Dora Toiá e Maria Beraldo.


1 - Compositora e cantora de originalidade e expressão únicas, em "Denúncia", Puta Romântica entoa seu refrão inadiável, "Jorge, eu sou piranha!" - um brado pela autonomia do próprio desejo, em tom ao mesmo tempo confessional e dionisíaco, entre violões, cordas e a gravidade de seu barítono: https://open.spotify.com/track/2Y6LtfOCqY4O2LMq7BPs78?si=3c82f377929f4dca


2 - Seguindo a mesma via da intensidade, mas além-mar, por sua vez, Dora Toiá resgata a tradição do fado, demonstrando que é uma das maiores, indiscutíveis vozes da cena musical contemporânea, em sua belíssima interpretação de "Canção do Mar." A canção está no álbum mais recente de Dora, o excelente "Sim, eu te amo", e talvez seja o momento mais sublime do disco. O delicado acompanhamento é de André Siqueira: https://open.spotify.com/track/0fbCnGvUcXAMdxkpCCr7Ki?si=5900b4dbf69b49a9


3 - E por sua vez, na deixa do título do álbum de Dora Toiá, partimos para a canção Eu Te Amo, clássico de Chico Buarque e Tom Jobim, na radical e instigante releitura de Maria Beraldo, constante de seu álbum Cavala (2018). Beraldo despe a canção com a própria voz, concentrando o arranjo nas subidas e descidas da melodia, brincando com a dicção, deixando o canto se confundir com as distâncias. E a canção reluz, como quem ama: como docemente se quer amar: https://open.spotify.com/track/4nFaqp0pUTZgdDzpqO7iQX?si=6814cf1b14e74c8a




1 visualização0 comentário
  • lacerdamarcos81

Atualizado: 9 de ago. de 2021

Três canções, e em comum, certa ironia, procedimento crítico que mobiliza a narrativa de cada uma dessas canções, cada qual a sua própria maneira e com seus próprios fins.


1/3 - Guilherme Cobelo traz o samba, símbolo máximo da brasilidade na era pré-bossanovista, e sob muitos aspectos, ainda hoje, para retratar a "saudade do general" que atravessa o protagonista da canção, seu Osório - um típico moralista empedernido, a quem "lembrar de 1964 faz bem". Cantiga de Maldizer no. 1 (Osório) (2021) é ricamente arranjada, belo samba repleto das típicas "baixarias" violeiras a correr por sobre o ritmo dos cavacos, enquanto um coro quase lírico empresta drama à inteligente letra.

https://open.spotify.com/track/13D9r4FltXMLWb4xQmd2Xc?si=5e61feed8e0e4859



2/3 - Angélica Duarte debuta Pakera Fraka (2021), primeiro single de seu álbum porvir. A cantora e compositora paulista, radicada no Rio de Janeiro, amalgama seus vocais aos arranjos meticulosamente preparados, embebidos de sensualidade e sarcasmo, calcados na melhor angústia musical possível - a do fim da noite, pleno cabaré. A canção relata, mais do que um desencontro, uma vontade de dar voz ao próprio desejo.

https://open.spotify.com/track/16Zl4oT0JHwIX4TJpHZiRT?si=52bc67a1c54d4aad


3/3 - João Bernardo utiliza as fundações da MPB em Puxadinho, canção de seu belo álbum Encontro dos Rios (2020), mas aponta a sua janela para o horizonte, demarcando seu território sentimental com autonomia própria - "tá puxado ser o puxadinho do seu coração / quando o outro de mansinho já tá morando na mansão (tá puxado)" - o bom humor da letra, como se vê, não disfarça a profundidade que caracteriza as obras do grande cancionista; a canção termina com grande alarido e quase cacofonia, uma alegoria para bom entendedor.

https://open.spotify.com/track/79IffFQGynCzv0iYAnT1gT?si=cf3c7a991fb743c2






10 visualizações0 comentário