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  • Alexandre Marzullo

Blog Uma Canção #01 / 12 - Arthur Nogueira - Valente

Atualizado: Out 19

Após seu elogiado disco de releituras da obra de Caetano Veloso, "Sucesso Bendito", Arthur Nogueira prosseguiu com o lançamento do excelente single “Valente” em meados de setembro, anunciando seu disco porvir. “Valente” é uma canção de forte matiz autobiográfico, elaborada na justa medida do poético, e que traz por tema o perene e bonito testemunho do nascimento de um poeta – um poeta na canção.


De fato, "Valente" se desenvolve sob a lógica dos crescendos, como em um acordo de tensões, uma tempestade por desatar. Forças da natureza. Os arranjos podem ser lidos dentro de comentário sobre a própria tradição musical brasileira com a qual Arthur Nogueira trabalha, em seus ritmos e timbres – da gira percussiva que abre “Valente” aos violoncelos que impulsionam seu refrão, imagens que partem de "Belém a Berlim", parafraseando o próprio compositor. Mas se todos esses elementos repousam no arpejar de seu violão, é para a voz do artista, no entanto, que tudo converge – para a Voz e a voz de Arthur Nogueira: “eu quero a ordem do delírio / ave-poesia”.


Ora, o título da canção compõe, também, um dos sobrenomes do artista – Arthur Valente Nogueira. Lembro o que diziam os antigos: "quem nomeia imprime direção"; como tal, "Valente" sublinha o sinal da própria trajetória do artista, ali implicada em sua descoberta de si, exposta verso a verso. Decerto, é um longo percurso, uma longa jornada, a que anuncia o sujeito. Mas por outro lado, a dificuldade deste vir-a-ser – este “tornar-se quem se é” – já não precisa ser ressaltada quando se percebe que a vitória (o sujeito) reside em sua própria capacidade de dizer “sim”.


E é como acontece: subitamente, “versos esplendem das mãos”, como o próprio Arthur Nogueira escreve. Bendito e bem-dito seja o artista. Ave Poesia.




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