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  • Alexandre Marzullo

Blog Uma Canção #01 / 02 - Três canções e a ironia

Atualizado: Ago 9

Três canções, e em comum, certa ironia, procedimento crítico que mobiliza a narrativa de cada uma dessas canções, cada qual a sua própria maneira e com seus próprios fins.


1/3 - Guilherme Cobelo traz o samba, símbolo máximo da brasilidade na era pré-bossanovista, e sob muitos aspectos, ainda hoje, para retratar a "saudade do general" que atravessa o protagonista da canção, seu Osório - um típico moralista empedernido, a quem "lembrar de 1964 faz bem". Cantiga de Maldizer no. 1 (Osório) (2021) é ricamente arranjada, belo samba repleto das típicas "baixarias" violeiras a correr por sobre o ritmo dos cavacos, enquanto um coro quase lírico empresta drama à inteligente letra.

https://open.spotify.com/track/13D9r4FltXMLWb4xQmd2Xc?si=5e61feed8e0e4859



2/3 - Angélica Duarte debuta Pakera Fraka (2021), primeiro single de seu álbum porvir. A cantora e compositora paulista, radicada no Rio de Janeiro, amalgama seus vocais aos arranjos meticulosamente preparados, embebidos de sensualidade e sarcasmo, calcados na melhor angústia musical possível - a do fim da noite, pleno cabaré. A canção relata, mais do que um desencontro, uma vontade de dar voz ao próprio desejo.

https://open.spotify.com/track/16Zl4oT0JHwIX4TJpHZiRT?si=52bc67a1c54d4aad


3/3 - João Bernardo utiliza as fundações da MPB em Puxadinho, canção de seu belo álbum Encontro dos Rios (2020), mas aponta a sua janela para o horizonte, demarcando seu território sentimental com autonomia própria - "tá puxado ser o puxadinho do seu coração / quando o outro de mansinho já tá morando na mansão (tá puxado)" - o bom humor da letra, como se vê, não disfarça a profundidade que caracteriza as obras do grande cancionista; a canção termina com grande alarido e quase cacofonia, uma alegoria para bom entendedor.

https://open.spotify.com/track/79IffFQGynCzv0iYAnT1gT?si=cf3c7a991fb743c2






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